Uma experiência extra-sala
está sendo posta em prática pela equipe pedagógica da Escola Modelo de Iguatu,
da rede particular de educação. Os professores estão acompanhando os alunos
nas 'Aulas de Campo' realizadas fora da escola. Os estudantes são transportados
de ônibus para locais distintos de Iguatu e outros municípios da Região onde
passam a receber informações sobre temas variados, normalmente assuntos
diretamente ligados à grade curricular, conforme o planejamento letivo. As
aulas estão acontecendo para os alunos do ensino fundamental I e II e ensino
médio.
O projeto tem grande aceitação dos
estudantes, educadores e pais. As aulas atravessam as fronteiras da sala de
aula, com importantes ganhos no aprendizado. A professora Lilian Pontes
explicou que a meta é repassar os conhecimentos aos estudantes no ambiente
externo, quando eles aprendem na prática
o que veem de meio ambiente, história, geografia, ciências, matemática e outras
disciplinas. “Não que eles não aprendam em sala. Claro que aprendem. Mas as
experiências fora da escola têm um cunho, não só educativo, de aprendizado, mas
também social”,afirmou.
Na quinta, 21, um grupo de 70 estudantes do ensino fundamental II esteve no município de Icó, para aulas de Geografia e História. Foi a segunda jornada do projeto fora de Iguatu. Uma semana antes, um outro grupo, desta vez do ensino fundamental I também viveram a mesma experiência. No fundamental II eles foram acompanhados pelos professores Vânia (Geografia), Roque (Matemática), Angélica (História) e Terezinha Alencar, coordenadora pedagógica.
Melhor Aprendizado
Os estudantes visitaram o teatro da ‘Ribeira dos Icós', o 'Largo do Tebergue', a 'Câmara e Cadeia', 'Rua do Meio', 'Igreja do Senhor do Bonfim', a casa onde morou o 'Canela Preta', 'Igreja do Rosário', a igreja dos escravos, construída por eles em 1736. Na igreja de Nossa Senhora da Expectação, local onde a cidade surgiu, os alunos tiveram uma aula com o auxílio do pesquisador e historiador Altino Afonso. Altino também acompanhou os alunos em outra aula abordando outros aspectos da história do município, no teatro da Ribeira dos Icós. Lá ele contou sobre as lendas da cidade, seus mitos e contos. A lenda do Barão do Crato, que morava num casarão ao lado do teatro, e teria construído uma passagem subterrânea para ir ver os espetáculos porque não queria se misturar com os populares. A história da suposta baleia adormecida que existiria no altar da igreja do Senhor do Bonfim e poderia acordar se uma imagem posta no altar fosse retirada do local transformando Icó num braço do mar.
Terezinha Alencar informou que a experiência está apresentando resultados surpreendentes em relação ao aproveitamento por parte dos alunos. Segundo ela, a escola já está agendando outras etapas do projeto, desta vez para a Região do Cariri, inclusive com visita a museu. A professora Angélica, que é filha de Icó, disse que o fato dos estudantes voltarem ao cenário onde a história aconteceu para ouvir sobre passagens, acontecimentos e fatos é algo inexplicável. Vânia, que trabalha com a disciplina de Geografia, explicou a importância dos estudantes estudarem sobre o rio Salgado que margeia a cidade de Icó estando 'in loco', tendo a oportunidade de dirimir dúvidas e armazenar muitas informações sobre a Região.
Ao ar livre
O professor Rogério, da disciplina de Geografia, viajou com as crianças do ensino fundamental I, para as margens do açude Trussu, no distrito de Suassurana. Também estavam acompanhando o grupo a professora Elizângela e a coordenadora do ensino fundamental I, Geni Lôbo. Geni destacou a importância do projeto para que os estudantes ampliem seus conhecimentos. Rogério relatou que outro fator importante é que os temas abordados nas 'aulas de campo' também são explorados em sala de aula. Ele acompanhou as duas turmas do 5º Ano 'A' e 'B', na aula de campo de História, Geografia e Meio Ambiente às margens do açude público Trussu, no distrito de Suassurana, e ao rio Jaguaribe, nas imediações do bairro Bugi.
Os alunos conheceram sobre a capacidade hídrica do reservatório, sua construção, o sistema de distribuição hídrica para abastecimento e irrigação, piscicultura e as duas cidades que são abastecidas, Iguatu e Acopiara. Nas visitas aos dois mananciais, o que mais chamou a atenção dos estudantes foi a poluição, aliada à falta de preservação, principalmente com os volumes de lixo depositados nas margens. Embalagens de refrigerantes, cigarros, sacolas plásticas, móveis velhos, tecidos,embalagens de outros produtos industrializados e alimentos.
As lagoas de Iguatu também estão na agenda de aulas da escola, dentro do projeto 'Aulas de Campo'. Estudantes acompanhados por outros professores também aprenderão mais sobre os ecossistemas ainda neste mês de maio. A idéia dos educadores é explorar os assuntos produzindo documentários com a participação dos alunos, ilustrando pesquisas e até contribuindo com o senso crítico para a melhoria e preservação desses recursos naturais.
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